terça-feira, 3 de julho de 2007

Assim como a vida, a mídia também é etc...


Sete cegos e um elefante
(História do folclore hindu)



Numa cidade indiana viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda. Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês discutem como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora. No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado naquele animal. Por isso, foram para a rua ao encontro dele. O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes...
- Que palermice! - Disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. - Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra...
- Ambos estão enganados – retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia...
- Vocês estão totalmente alucinados! - Gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante...
- Vejam!!! Todos vocês estão completamente errados! - Irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.E assim, os seis sábios ficaram horas a dabater...
Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava na montanha, apareceu acompanhado por uma criança.Ouviu a discussão, e pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
- É assim que os homens se comportam perante a verdade própria. Pegam apenas numa parte e pensam que é o todo...


quinta-feira, 19 de abril de 2007

Pequeno Diálogo Entre o Caos e a Ordem - (Inspirado na Cosmologia de C. S. Peirce)

“...o mundo é chaos e cosmos, mas jamais sem sentido...”
(trecho da aula do dia 02/03/2007)


Descompromissadamente instalado num hiato do Tempo, o CAOS convida a ORDEM para um diálogo:

CAOS: Estás sempre comigo e pouco conversamos, tão ocupados estamos neste Universo. Do interior de uma de tuas criações, o Tempo, uma de nossas criações, o Homem, denominou-me CAOS. Sou, em verdade, Liberdade Absoluta, advinda do Primeiro Continuum. Fragmentado, tal Continuum deu origem a mim. Produzo Arte e seduzo olhares deste Universo, que por Ela se interessam. E a ti, que nome deram?

ORDEM: A mim atribuíram o nome de ORDEM. Entretanto, devido a ti, sou apenas parcial neste Universo. De ti me originei, como tendência tua de adquirir Hábitos. Como sabes, estou ainda em formação. Sou teus Hábitos, conquanto, em mim, tu não te esgotas. Estás, sempre, menino, pincelando de assimetria o que faço simétrico, introduzindo acidente no que torno essência. Produzo Mediação que seduz olhares interessados em Ciência, que têm fascínio por decifração.

CAOS: Se bem entendi, és de mim um outro lado, assim como sou a outra face da Unidade Primeira. Fantástico isto! Não obstante, veja como sou, de ti, diferente: enquanto brinco na Existência, impões a Ela permanência e regularidade. Enquanto, por exemplo, te empenhas em fazer, num certo pontinho do Universo, o sol se pôr, eu me divirto em pintar o céu dos homens. Cada dia ocorre-me uma idéia diferente para fazê-lo. Jamais me repito; és pura redundância. Enquanto me instalo no Não-Tempo, és real, apenas, na temporalidade. Não te enfadas desta missão?

ORDEM: Em absoluto! Para mim é muito divertido observar o que falam de mim! Os seres deste Universo têm me representado dos modos mais interessantes. Particularmente, os Homens, ao longo de sua pequenina História, têm levantado as mais estranhas hipótese sobre como sou! A Ciência que fazem melhorou muito, mas têm tanto que aprender! Missão, mesmo, é tornar possível o pensamento. Sem mim, o que poderia ser dito? Nem teu nome seria possível, menos ainda o das lindas rosas que pintas e que faço permanecerem rosas.

CAOS: Devo reconhecer tua importância. Sempre que, para eles, somente eu apareço, emudecem! Quando, todavia, estás comigo, deles toco o coração, enquanto fazes, neles, crescer a inteligência.
Creio que nenhum deles percebeu, ao contemplarem o que faço, ter, dentro de si, o segredo de minha própria origem. Aquela Unidade Primeira, algo tão antigo! Toma-lhes a consciência um Todo, gênese de criação possível, síntese originária para a descoberta real. Sabem eles disto?

ORDEM: Duvido! Pretensiosos, acham-se o centro do Universo. Não é espantoso? Um dos seus divertimentos, que chamam, se não me engano, Filosofia, supõe, hoje, que não existo! Que sou, tão-somente, Lógica da Linguagem. Não é estranho?
CAOS: Gostaria de ver como afirmariam isto ou qualquer outra coisa sem ti! Sequer a tinta seria tinta, o som seria som, a pedra seria pedra, o papel, papel!
Se não existisses, seria eu o único artista deste Universo, sem alguém, sequer, a contemplar minha obra. Quanto mais pensarem-te existindo dentro deles, tão-somente.

ORDEM: Alguns de seus ancestrais, também praticantes desta tal Filosofia, reconheceram-me, e a ti também. Depois te abandonaram, supondo-me único e acabado, como um relógio do Mundo. Agora, baniram-me totalmente, dizendo-se organizadores da Natureza, afirmando não terem certeza de mim.

CAOS: Por tudo que vimos, parece que teremos que aguardar futuras gerações que reconheçam nossa verdadeira natureza.

ORDEM: Sim, aguardemos. Certamente descobrirão que não somos meras palavras.

CAOS: E o que sugeres, agora?

ORDEM: Falemos do restante do Universo, certamente mais sábio e interessante!

(http://www.pucsp.br/pos/cos/interlab/ivo/index.html#texto1)

domingo, 15 de abril de 2007

Rapidinha


Sobre o pensamento complexo: “A cognição é o ato de adquirir o conhecimento. O conhecimento é o resultado da cognição: é a tomada de consciência. Os operadores cognitivos facilitam a colocação em prática do pensamento complexo.” (http://www.geocities.com/pluriversu/operadores.html)

Física Clássica & Física Quântica

A Mecânica Clássica é completamente determinística: dadas as posições e velocidades exatas de todas as particulas em um dado instante, juntamente com a função, pode-se calcular as posições futuras (e passadas) e as velocidades respectivas de todas as partículas em qualquer outro instante. A evolução das posições e momentos do sistema através do tempo é denominada como sendo uma trajectória.
A mecância quântica não é determinística, mas probabilística. Ela nos força a abandonar a noção de trajetórias precisamente definidas das partículas no tempo e no espaço. Devemos falar em termos de probabilidades como alternativa a configurações do sistema.
Isaac Newton, um dos precursores do pensamento moderno, vê o homem como máquina. Esta é a caracteristica da física clássica: enxerga o mundo material como algo deterministico, como um mecanismo de relógio pré-programado. Por outro lado, a física quântica admite eventos aleatórios: o acaso.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Teoria do Caos

O que a indústria cultural e fonográfica não previu logo sentiu: a simples ação do pai de Zezé de Camargo e Luciano, como narrado no filme 2 Filhos de Francisco, transformou a vida de seus filhos.



Teoria do Caos

Teoria do caos para a física e a matemática é a hipótese que explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos. Em sistemas dinâmicos complexos, determinados resultados podem ser "instáveis" no que diz respeito à evolução temporal como função de seus parâmetros e variáveis. Isso significa que certos resultados determinados são causados pela ação e a interação de elementos de forma praticamente aleatória.
A conseqüência desta instabilidade dos resultados é que mesmo sistemas determinísticos (os quais tem resultados determinados por leis de evolução bem definidas) apresentem uma grande sensibilidade a perturbações (ruído) e erros, o que leva a resultados que são, na prática, imprevisíveis ou aleatórios, ocorrendo ao acaso. Mesmo em sistemas nos quais não há ruído, erros microscópicos na determinação do estado inicial e atual do sistema podem ser amplificados pela não-linearidade ou pelo grande número de interações entre os componentes, levando ao resultado aleatório.
Os cálculos envolvendo a Teoria do Caos são utilizados para descrever e entender fenômenos meteorológicos, crescimento de populações, variações no mercado financeiro e movimentos de placas tectônicas, entre outros. Uma das mais conhecidas bases da teoria é o chamado "efeito borboleta", teorizado pelo matemático Edward Lorenz, em 1963.
Normalmente este efeito é ilustrado com a noção de que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo no espaço de tempo de semanas.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_caos)

domingo, 8 de abril de 2007

“Sou + Eu”

Já que sou dona deste espaço virtual, gostaria de começar meu comentário parabenizando o primeiro grupo pela brilhante apresentação. O grupo se apresentou de maneira objetiva pontuando conceitos importantes e foi muito feliz na escolha do exemplo, a revista “Sou + Eu”.

Reitero minha colocação feita em sala de aula: minha impressão é a de que a mídia tradicional copiou o formado da comunicação em rede. A partir do momento que todas as teorias da comunicação, baseadas em emissor e receptor, passam por um processo de readaptação de uma lógica agora de receptor também emissor, ela perde aquela antiga receitinha de bolo de como fazer. Parece que agora procuram novos ingredientes e formatos. Algo até paradoxal, pois ao mesmo tempo que a comunicação em rede, leia-se internet, não tem um formato padrão, a ponto dos meios tradicionais limitarem-se apenas a transportar seus conteúdos, ela passa a ser copiada pela mídia tradicional.
A mídia tradicional reservava para os anônimos apenas os espaços de noticiários. O entretenimento sempre foi espaço para as celebridades. A internet ainda não é uma realidade para todos, mas ela é noticiada e todos ou quase todos já ouviram falar dela. Quem a conhece e tem acesso quer fazer parte dela, mesmo que seja de forma democraticamente imposta como atividade acadêmica, como meu blog. É uma questão de tempo para que todos tenham acesso. O Youtube é a ponta do iceberg da decadência da televisão.

O Papel da Elites

“As pessoas que se enrolam nos jornais não são mais notícia
Elas não esperam de um papel de duas cores mais que um pouco de calor
A calçada não é pai Não é mãe Não é nada
Nada mais do que um abrigo, um refúgioTão estranho pra quem passa Pra quem passa”


A primeira impressão que tive quando este texto, de título dúbio, me foi apresentado na última aula pelo professor Dimas, era que seria proposto naquela aula a discussão sobre a “função social” ou a “responsabilidade da Elite” ou algo parecido. Tão logo percebi meu erro sobre minha hipótese.
O “papel” ao qual o título se refere é o sentido literal de papel, aquele produto derivado da celulose com múltiplas finalidades, entre elas a de imprimir impressões.
A medida que a atividade proposta (cada aluno deveria ler um parágrafo) fluía, frases soltas martelavam minha consciência.

“....a revolução digital está em curso...”
“...jornais impressos vão se tornar anacrônicos...”
“...a geração nascida com internet prescinde de folhear páginas impressas do jornal...” etc..

Após a leitura foi aberto para discussão as impressões daquele impresso. Colocações belíssimas foram feitas pelos colegas. Questões como a necessidade de alguns de manipular o papel, ou mesmo de como é cansativo ler na tela do computador, ou sobre questões ecológicas.
O texto e a discussão ali gerados relacionavam-se a questões técnicas. Como bem colocado pelo professor: “inovações tecnológicas passam sempre por processos”...

Logo me lembrei de um livro do sociólogo francês Dominique Wolton, chamado “Internet e Depois?”.
Neste livro, Dominique faz uma crítica direta a abordagem tecnológica da comunicação. Para ele, é preciso pensar a comunicação a partir da comunicação, e não colocar a técnica como mais importante do que a condição humana.


“O papel das elites”
Destruída minha primeira impressão e, ainda inquieta com o título, tive uma segunda interpretação. Aqui, penso, no “papel” como “domínio” ou privilégio da elite. Mais do que a questão técnica, fica a dúvida se este não será apenas mais um “meio” de proliferação de ideologias e alienação.