domingo, 4 de março de 2007

Este é meu primeiro artigo. Começo esta nova atividade com muitas dúvidas e receios. Receio não apenas da avaliação do professor, mas também dos meus colegas e de todos aqueles que aqui chegarem.

Esta insegurança, espero que inicial, deve-se, talvez, a falta de costume. O “poder” de expressar parte do que penso de forma tão ampla gera uma certa angústia. Na minha cabeça, por algum motivo, não é tão simples como escrever um diário. Talvez, por ser da geração em que diários, escritos somente por meninas, eram algo íntimo e de acesso restrito.

Sei, é claro, esta é uma proposta acadêmica, não é o espaço para se falar de intimidades, mas dividir minhas certezas e “achismos” na rede é algo que me causa espécie.

Na tentativa de vencer este obstáculo começarei ........

Os Poderes do Poder

" O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída: de facto, cada um pensa estar tão bem provido dele, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em todas as outras coisas não têm de forma nenhuma o costume de desejarem [ter] mais do que o que têm. E nisto, não é verossímil que todos se enganem; mas antes, isso testemunha que o poder de bem julgar, e de distinguir o verdadeiro do falso que é aquilo a que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; da mesma forma que a diversidade das nossas opiniões não provém do facto de uns serem mais razoáveis do que outros, mas unicamente do facto de nós conduzirmos os nossos pensamentos por vias diversas, e de não considerarmos as mesmas coisas. "
Descartes, Discurso do Método, I Parte, ed. cit., p. 11.

Este trecho do livro de Descartes me faz refletir sobre os diversos âmbitos do cotidiano e o Poder é um deles. Os Poderes do Poder, em qualquer face, julgam-se de extremo bom senso. Seres maiores, dotados de virtudes inquestionáveis. Imagino se não seria melhor que a bela mulher-estátua, com vendas nos olhos, representando a imparcialidade da justiça, tirasse sua venda.
Todos iguais perante a Justiça!? E todos iguais diante dos Poderes do Poder? São coisas diferentes?
Questões e questões não respondidas, mas esquecidas diante de noticiários, novelas, seriados, programas de auditório e reality shows. Os não infantilizados e preenchidos de bom senso lutam e mobilizam-se em várias partes da cidade e em todos os cantos do país, como acompanhamos diariamente, enquanto os infantilizados ofendem-se e negam-se como parte da massa.

Bourdieu fala de capital cultural. O poder do Estado sobre a educação, o que nos é oferecido e ensinado desde pequeninos, como tijolos no muro. Somos estudados e contabilizados. Sabem sobre nosso destino, nossas competências e limitações.

Os Poderes do Poder ao longo da história encontraram vários canais. A Mídia: só mais um.

Um comentário:

Anônimo disse...

oi, vivi